ÒSUN-OSOGBO: O FESTIVAL QUE MANTÉM VIVA A ALMA YORUBÁ
O Festival Òsun-Osogbo é um evento cultural anual que acontece na cidade de Osogbo, estado de Òsun, na Nigéria. Realizado todo mês de agosto, o festival dura duas semanas e é dedicado ao culto de Òsun, a orixá iorubá das águas doces, da fertilidade, do amor e da beleza. Mais do que uma celebração religiosa ou folclórica, o festival é uma expressão viva da história, identidade e espiritualidade do povo iorubá. Com mais de 600 anos de tradição ininterrupta, ele se tornou um dos mais significativos patrimônios culturais de toda a África Ocidental.
Reconhecido pela UNESCO em 2005 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o festival é parte de um seleto grupo de expressões culturais iorubá preservadas globalmente, ao lado do Sistema de Adivinhação Ifá (2008), do Patrimônio Oral de Gélédé (2008) e do Festival de Sà̀ngó (2023).
Origens Históricas: Um Pacto Sagrado com a Orixá
As origens do festival estão ligadas à fundação da cidade de Osogbo, no século XV. Segundo a tradição, os primeiros habitantes, liderados por Olutimehin, chegaram às margens de um rio e decidiram se estabelecer ali. Sem saber, adentraram a mata sagrada da deusa Òsun. A orixá então apareceu e propôs um pacto: permitiria a ocupação do local em troca de rituais anuais em sua homenagem. Em retribuição, garantiria proteção, fertilidade e prosperidade ao povo. Assim nasceu o Festival Òsun-Osogbo, como celebração da aliança espiritual entre a divindade e a comunidade.
Rituais e Celebrações: Uma Imersão na Cultura Iorubá
O festival inicia-se com o ritual de purificação da cidade, chamado Iwopopo, para afastar energias negativas. Em seguida, ocorre o acendimento da lâmpada cerimonial de 500 anos, a Ina Olojumerindinlogun, que representa a continuidade da tradição.
Dentre os momentos mais emblemáticos, destaca-se a visita do rei (Ataoja) ao bosque sagrado, onde realiza oferendas e reafirma os votos do pacto com Òsun. O ponto alto é a grande procissão até o Santuário de Òsun, conduzida pela Arúgba, jovem virgem que carrega o cabaço sagrado com oferendas. Ela representa a pureza, a esperança e o canal de comunicação com a deusa. A procissão é marcada por música, dança, trajes coloridos e celebração coletiva, em um verdadeiro espetáculo cultural e espiritual.
O Bosque de Òsun: Santuário da Arte e do Sagrado
Localizado na periferia de Osogbo, o Bosque Sagrado de Òsun é um dos últimos bosques sagrados da Nigéria e considerado o coração espiritual do povo iorubá. O espaço abriga esculturas, santuários e obras criadas por artistas locais e pela icônica austríaca Susan Wenger, que viveu ali por quase 60 anos. Graças à sua contribuição, o bosque se tornou Patrimônio Mundial da UNESCO, sendo hoje um centro de turismo religioso e preservação cultural.
Impacto Cultural e Econômico do Festival
O Festival Òsun-Osogbo é também uma importante fonte de renda e de projeção internacional. A cada ano, milhares de pessoas viajam para Osogbo: turistas, devotos e membros da diáspora iorubá de países como Brasil, Cuba, Trinidad e EUA. Para eles, é uma forma de reconexão ancestral. Para os moradores, é um período de forte movimentação econômica: pousadas, restaurantes, mercados e artesãos se beneficiam.
Além disso, o festival é um arquivo vivo da tradição iorubá, preservando práticas, danças, cantos e saberes que são passados de geração em geração.
Desafios Recentes e Esperanças para o Futuro
A edição de 2024 foi marcada por desafios, com menor participação devido à crise econômica e aos protestos nacionais. Muitos devotos relataram dificuldades de transporte, reduzindo suas caravanas. A ausência de chuvas durante o festival também gerou debates. Oyinkansola Elebuibon, filha do sacerdote Ifayemi Elebuibon, explicou que a presença ou ausência de chuva possui significados simbólicos: se chove, a deusa está se banhando (Iya n’wè); se não chove, ela está se preparando (Iya sé obun).
Apesar dos percalços, a edição foi amplamente celebrada nas redes sociais e contou com forte presença internacional. Um marco de 2024 foi a tentativa de registro no Guinness World Records para a maior fileira de danças tradicionais simultâneas, refletindo a busca por reconhecimento global da cultura iorubá.
Guardando a Tradição, Olhando para o Mundo
Lideranças tradicionais continuam a desempenhar papel essencial no festival, reafirmando seu compromisso com a cultura iorubá. Em 2024, o Aare Onakakanfo Iba Gani Adams destacou a importância de resistir às pressões políticas e manter viva a identidade cultural. O governador Ademola Adeleke também demonstrou interesse em expandir o potencial turístico do evento.
O Festival Òsun-Osogbo segue como uma tradição viva: celebra o passado, sustenta o presente e inspira o futuro do povo iorubá. Em um mundo em constante transformação, permanece como um farol de resistência, espiritualidade e orgulho cultural.
Por Cláudio Trevizzo
O Filho das Águas.
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