Òṣun é consagrada senhora do ouro da terra… e dos corais do oceano.
Este itan se fundamenta no Òṣé Méjì, o odu de Ifá que revela a queda pela vaidade e a restauração pela consciência, pelo amor e pelo axé.
Oxum chorou à beira do rio e, como todos os rios desembocam no mar, suas lágrimas chegaram até o fundo das águas profundas, onde vive Iemanjá.
Assim, Oxum não estava verdadeiramente sozinha.
Senhora de todas as riquezas do mundo e aquela que mais amava Oxum sobre a Terra, Iemanjá decidiu socorrer sua filha. Porque amor de mãe não precisa ser chamado — ele reconhece.
Iemanjá foi ao encontro de Oxum, que se encontrava destruída material e espiritualmente, e lhe disse:
“Não chore mais, Oxum. Tuas lágrimas cravam-se em meu coração. Rainha foste e rainha voltarás a ser, por graça de Olofin.
De hoje em diante, te pertencerá todo o ouro que se encontra nas entranhas da terra; todos os corais que repousam no fundo do mar serão teus, para que com eles te enfeites.
Não voltarás a trabalhar como escrava. Sentar-te-ás em um trono dourado, como corresponde às rainhas. Terás um abano de pavão-real, que é meu e passará a ser teu.
E para que não fiques mais atormentada por teres perdido teus cabelos, olha: vês os meus cabelos? Recordas que és meu orgulho, assim como o teu sempre foi para mim?
Toma-os e faz com eles uma peruca, até que os teus cabelos voltem a crescer.”
Assim ensina Òṣé Méjì: aquilo que se perde pode ser restaurado, mas retorna com consciência, dignidade e força espiritual renovada.
Odòyá!
Epà omi o!
Òra yèyé ò!
Cláudio Trevizzo (Cláudio Ifalami)
Diretor criativo e idealizador da Omiola
omiola.com.br
“A arte revela o sagrado.”